Regresso a casa como tantas outras vezes, mas ao contrário do que acontecia, sigo em passos curtos e lentos, na esperança que o tempo passe
O Sol já não tem o mesmo calor, nem as ruas são tão bonitas, as flores perderam o cheiro, tudo está mudado, olho á volta e não conheço esta cidade
Detenho-me numa montra qualquer, mais uns minutos passaram, olho a felicidade nas pessoas, tentando roubar um pouco para mim também
E sigo o meu caminho de regresso a casa, com um peso tão grande sobre os ombros que atrasa a minha marcha
Dou por mim imóvel a olhar o vazio, na expectativa que em algum sítio reconheça algo familiar, mas não sinto familiaridade em nada, nem em ninguém
Só um estranho silêncio e desalento, como se não me conhecesse neste meu corpo, cansado e cheio de falta de amor
As minhas pernas comandam o meu pensamento, já sabem o caminho de regresso a casa, ainda bem que assim é, sem elas não sei se chegaria
E sigo pelo caminho de sempre, rodeada pelos parques com o verde sempre presente, mas já não olho não quero olhar para tudo o que me rodeia pois não o sinto da mesma forma
Evito lugares com gente, pois não quero correr o risco de encontrar alguém conhecido e ter que me deter em conversas banais e que não me apetece tê-las.
Não tenho palavras para dizer, acho que já as disse todas
E continuo a andar, com passinhos curtos e lentos, na esperança que o tempo corra
De quando em vez lembro -me de memórias que me alegram e deixam que surja um sorriso tímido na minha boca, mas logo outra memória surge, mais dolorosa e sentida
E o sorriso tímido que tinha, transforma-se em lágrimas que teimam em cair
Parecem crianças a saírem da escola no final do dia, umas atrás das outras, com pressa, atropelando-se
Finalmente chego
Abro a porta de casa, olho para o relógio para ver quanto tempo passou e chego à conclusão todos os dias que demorei o mesmo tempo que sempre demorei
Desta vez não tenho ninguém por quem chegar
09/08/2011

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