O que eu sinto ninguém sente, a dor que dilacera que corta
Que nos faz ficar dormentes de tanto pensar sem chegar a lado nenhum
Ouço os teus passos de madrugada, levanto-me em sobressalto
Corro, procuro e não te encontro
O teu cheiro está impregnado nas paredes, não consigo respirar
Abro a janela na esperança de te ver chegar
É tarde ainda não durmo
E de repente como se fosse magia lembro-me que não estás mais na minha vida
Vou abrir armários, gavetas e ver recantos
À procura de coisas que não existem
Álbuns de fotografias vistos milhares de vez
Na vã esperança de ir buscar consolo a tempos passados
Por momentos sou feliz de novo, por momentos voltei aqueles tempos
Mas depressa me deparo com a triste realidade
Corpo cansado, cabeça exausta, olhos doridos de tanto chorar
Deito-me na cama que um dia já foi nossa
Vazia, fria e eu sozinha adormeço de tanto sofrer
Com a esperança que ainda vais voltar
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